Jovens Advogados vs Prática e suas dificuldades – Parte 2

autoria pedro

No texto anterior, começamos a apresentar as dificuldades gerais enfrentadas pelos Jovens Advogados, apresentando um panorama processual destas e a sua equivocada percepção pela sociedade, políticos, redes sociais, “mídia” e até mesmo a própria imprensa dos órgãos da Justiça. Sendo assim, neste texto, pretendo apresentar mais algumas dificuldades enfrentadas por mim e por outros novos advogados, bem como, apresentar algumas das soluções que adotei, para solucionar estes problemas.

Assim sendo, outra dificuldade enfrentada pelos Jovens Advogados, principalmente aqueles que, assim como eu, abriram seu próprio escritório de imediato, é a forma como este faz a captação de clientes para o seu negócio, uma vez que, ainda que o advogado seja parte “indispensável à administração da justiça[1]” temos que aceitar que este necessita auferir renda para a sua subsistência, não possuindo a fama e respeito que os advogados mais velhos possuem, tal situação tem tamanha importância que o Supremo Tribunal Federal publicou na Súmula Vinculante nº 47[2], a necessidade dos honorários advocatícios possuírem caráter alimentar.

Sobre tal fato, ainda, destaca-se que a captação de clientes não só ao novo advogado, mas sim a qualquer advogado, deve respeitar os limites “do dever ético e do próprio belo estético da profissão. O ideal, como sempre, necessita do realismo para não se perder em proclamação programática estéril de resultado prático — que é o que interessa ao cliente[3]”, sendo assim, de forma a exemplificar tal passagem, utilizo-me da minha bucólica experiência para recomendar a utilização das diversas esferas da Justiça, no sentido de conceder aos Jovens Advogados a possibilidade destes atuarem como advogado dativo nas mais diversas causas, o que possibilitara o cumprimento da sua função perante a sociedade e, ainda, auferira renda pelos seus serviços prestados.

Finalmente, existe mais uma dificuldade que entendo ser pertinente a abordagem, qual seja, as formas alternativas de se advogar, ou seja, a atuação em redes sociais, com novas tecnologias, a elaboração de contratos e a negociação, mediação e conciliação, todas estas a meu ver são formas alternativas de advocacia, que embora abordadas ao longo dos cursos de Direito, dificilmente são praticadas, uma vez que, tem-se como prioridade nestes a forma litigiosa de solução de problemas, ou seja, a processual, em virtude disto, o Jovem Advogado, mais que qualquer outro, necessita permanecer estudando, pois, de acordo com Sidnei Beneti, as tecnologias vieram “para ficar […] “estamos condenados à informatização; ou nos informatizamos, ou desaparecemos”. É constrangedor às gerações do futuro a leitura de resistências do presente[4]”. Já, no que diz respeito às demais formas de “advocacia preventiva ou extrajudicial, […] há uma busca por solucionar os conflitos ou mesmo um aconselhamento antes de se enfrentar um litígio na justiça. É o que está sendo feito na celebração de contratos, nas tomadas de decisões, no campo econômico, […] etc[5]”.

Desta maneira, posso dizer, por fim, que muitas foram às dificuldades enfrentadas por mim como Jovem Advogado, reconheco, inclusive, que muitas outras ainda virão, pois, esta é uma das características desta profissão, mas, assim como nas gerações anteriores que hoje se encontram no pináculo desta profissão que tanto me fascina, todos nos Jovens Advogados não devemos nos desanimar com tais problemas, precisamos nos nutrir de “valores e princípios fundamentais à conquista plena das liberdades e das oportunidades crescentes para a sociedade brasileira, a parceria ideal para o fortalecimento da […] instituição e para o despertar de uma consciência coletiva em busca do progresso e da paz social[6]”, conforme alude Artur Santos Daudt de Oliveira.

[1] BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, de 05 de outubro de 1988. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/ConstituicaoCompilado.htm&gt;. Acesso em 02 fev. 2016.

[2] Os honorários advocatícios incluídos na condenação ou destacados do montante principal devido ao credor consubstanciam verba de natureza alimentar cuja satisfação ocorrerá com a expedição de precatório ou requisição de pequeno valor, observada ordem especial restrita aos créditos dessa natureza. STF. Súmula Vinculante nº 47, de 27 de maio de 2015. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/ConstituicaoCompilado.htm&gt;. Acesso em 02 fev. 2016.

[3] BENETI, Sidnei. De um Juiz aos novos Advogados Contemporâneos. In: FORTES, Pedro Rubim Borges Fortes (Org.). Cadernos FGV DIREITO RIO: A formação da Advocacia Contemporânea. Rio de Janeiro: Escola de Direito do Rio de Janeiro da Fundação Getulio Vargas, vol. 10, 2014. p. 61. Disponível em: <http://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/bitstream/handle/10438/12656/Cadernos%20FGV%20DIREITO%20RIO%20-%20Vol.%2010.pdf?sequence=1&isAllowed=y#page=60&gt;. Acesso em 28 jan. 2016.

[4] BENETI, Sidnei. De um Juiz aos novos Advogados Contemporâneos. In: FORTES, Pedro Rubim Borges Fortes (Org.). Cadernos FGV DIREITO RIO: A formação da Advocacia Contemporânea. Rio de Janeiro: Escola de Direito do Rio de Janeiro da Fundação Getulio Vargas, vol. 10, 2014. p. 66. Disponível em: <http://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/bitstream/handle/10438/12656/Cadernos%20FGV%20DIREITO%20RIO%20-%20Vol.%2010.pdf?sequence=1&isAllowed=y#page=60&gt;. Acesso em 28 jan. 2016.

[5] BRANDÃO, Fernanda Holanda de Vasconcelos. A advocacia como atividade e o papel do advogado como negociador. In: Âmbito Jurídico. Rio Grande: n. 98, 2012. Disponível em: <http://www.ambito-juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11207&revista_caderno=13&gt;. Acesso em 10 fev 2016.

[6]OLIVEIRA, Artur Santos Daudt de. MANUAL DO JOVEM ADVOGADO: Noções para iniciar no mercado de trabalho. Editora Buqui, ed. rev. e atual. 3, 2014. p. 3

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